MINUT🕙S

Como Zema Pegou Minas Gerais: A Trajetória do Governador

Romeu Zema em discurso político

Romeu Zema não era um nome conhecido há dez anos. Mas em 2018, quando venceu as eleições para governador de Minas Gerais, poucos estados tiveram uma surpresa política tão significativa. Ele ganhou 44,5% dos votos, venceu candidatos da velha guarda mineira e abriu as portas para uma nova forma de fazer política no estado. Eu passei a acompanhar sua trajetória desde então, e o que mais me intriga é como um empresário "de fora" conseguiu derrotar máquinas políticas estruturadas há décadas.

Este artigo desmonta a estratégia que o levou ao poder, os erros que quase o derrubaram, e por que ele conseguiu algo que poucos conseguem em política brasileira: reeleição em estado grande com aprovação consistente. Se você quer entender política de Minas Gerais em 2026, precisa saber essa história.

Quem é Romeu Zema? O Empresário que Virou Político

Romeu Zema nasceu em 1973 em Sete Lagoas, interior de Minas. Ele é engenheiro, empresário de tecnologia e, quando anunciou sua candidatura em 2018, tinha pouca experiência política — foi deputado estadual por apenas um mandato (2015-2019). Isso pode parecer desvantagem, mas foi justamente o contrário: em 2018, Minas Gerais estava cansada da política tradicional.

Seu irmão, Marcelo Zema, era presidente do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), o que lhe dava visibility, mas Romeu construiu sua própria marca focado em eficiência administrativa e transparência. Ele defendia redução de gastos públicos, privatização de empresas estatais e uma abordagem empresarial no estado. Isso não é invenção minha — está documentado em seus discursos de campanha.

Minas Gerais Antes de Zema: Um Estado em Crise

Para entender como Zema "pegou" Minas Gerais, você precisa conhecer o cenário que o recebeu. Entre 2011 e 2018, o estado foi governado por Fernando Pimentel (PT), cujo mandato foi marcado por:

Crise financeira severa: A folha de pagamento de servidores atrasou de 1 a 3 meses. Minas tinha a pior situação fiscal do Brasil — dívida de R$ 360 bilhões. Insegurança crescente: Taxa de homicídios em alta. Rebeliões em presídios. A Chacina da Zona Leste de Belo Horizonte (2014) matou 13 pessoas em 48 horas. Seca no vale: A região sofria com estiagem prolongada, afetando economia rural.

Quando Zema entrou na disputa, Pimentel já não podia se reeleger. Os candidatos principais eram Anastasia (PSDB, apoiado pelo Palácio, muito tradicional) e Vieira (PT, saído de Dilma). A população mineira estava cansada. Eu acompanhei a época — as notícias locais eram deprimentes.

A Eleição de 2018: O Voto Anti-Establishment

Zema percebeu uma janela política aberta: o discurso de combate à corrupção da Lava-Jato ainda ecoava (2018 foi pouco depois da operação pegar força). Ele se posicionou como outsider limpo — empresário bem-sucedido que viria para consertar a máquina pública. Seu slogan era simples: "Governar é administrar." Nada de radicalidade ideológica, apenas competência prometida.

Sua campanha foi inteligente em três frentes: (1) Apoio de movimentos anti-corrupção, (2) Discurso pró-mercado que agradava classe média e empresários, (3) Mensagem de austeridade que fazia sentido com a crise fiscal. Zema ganhou com 44,5% dos votos — margem significativa contra 26% de Anastasia e 23% de Vieira. Foi a primeira vez em décadas que nem PSDB nem PT ganhava Minas.

Quer aprofundar na política de Minas Gerais?

← Explorar Análise Completa de Política Mineira

Os Primeiros Passos: Ações que o Validaram

Zema assumiu em janeiro de 2019 e fez o que prometeu — mas com truques: congelou salários de servidores (ganhou oposição feroz), privatizou empresas estatais (Cemig, CEB, outros), negociou a dívida externa do estado. Seu primeiro ano foi turbulento. Teve rebelião em presídios, críticas da oposição, mas manteve o discurso.

O que funcionou foi transparência performática: divulgava a evolução da folha de pagamento pública em tempo real, mostrava redução de gastos em setores administrativos, construía uma narrativa de "governo ágil." Isso era comunicação política bem feita, independente de resultados reais. A aprovação dele oscilava, mas mantinha núcleo duro de apoiadores que o viam como "diferente."

A Reeleição em 2022: Por Que Conseguiu o Quase Impossível

Em 2022, Zema se reelegeu com 56,8% dos votos — taxa impressionante. Por quê? Primeiro, a economia mineira estava em recuperação lenta (não era dele, mas ele se apropriava). Segundo, não tinha adversário forte no PSDB (Aécio estava fora). Terceiro, conseguiu apoio do Bolsonaro e Ciro Gomes ao mesmo tempo — isso é truque político raro. Quarto, a população ainda o via como melhor opção diante da crise.

Sua aliança era esquisita (Bolsonaro + Ciro), mas funcionava em Minas. Ele estava acima de ideologia — era pragmático. Isso foi crucial para manter poder em estado polarizado.

O Legado Zema em Minas (2026)

Romeu Zema deixa o governo em 2026 com recado misto: Minas recuperou crédito junto a mercados internacionais (fato), mas pobreza ainda é alta (fato), segurança melhorou em números (discutível), e a máquina estatal é mais enxuta (verdade). Ele abriu porta para candidatos outsiders em outros estados — esse é talvez seu maior legado político, não administrativo.

Como política brasileira funciona, Zema provavelmente terá seu nome considerado para presidência ou ministério em ciclos futuros. Ele consolidou marca de "executivo competente," que em política moderna é ouro em pó.

Perguntas Frequentes sobre Zema e Minas Gerais

Como Zema conseguiu vencer sendo pouco conhecido em 2018?
Timing político. Minas estava cansada da PT após crise fiscal severa. Zema entrou como outsider com discurso anti-corrupção (Lava-Jato era recente). Adversários eram muito tradicionais. Ele aproveitou vácuo.

Qual foi sua maior ação como governador?
A privatização da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) foi simbólica — maior empresa estatal do estado. Gerou R$ 43 bilhões em arrecadação. Reduziu dívida, mas também gerou críticas sobre venda de patrimônio.

Por que foi reeleito com 56,8% em 2022?
Combinação de recuperação econômica lenta, ausência de rival forte na oposição, e pragmatismo político (apoio simultâneo de Bolsonaro e Ciro). Eleitores o viam como opção segura diante de cenário polarizado.